É #FAKE que mamografia aumenta o risco de câncer de mama
Um estudo publicado pelo British Medical Journal aponta que mulheres que já tiveram câncer de mama em estágio inicial apresentam um risco apenas ligeiramente maior que o da população geral de desenvolver um segundo tumor primário, seja em outra parte do corpo ou na outra mama.
O que o estudo descobriu
Pesquisadores analisaram os registros de 476 mil mulheres na Inglaterra, diagnosticadas com câncer de mama entre 1993 e 2016, com idades entre 20 e 75 anos, todas submetidas a cirurgia. O acompanhamento durou até 20 anos. Dessas:
64,7 mil mulheres desenvolveram um segundo câncer nesse período.
aos 20 anos de seguimento, 13,6% tiveram um novo câncer não relacionado à mama (como útero, pulmão ou intestino) — apenas 2,1 pontos percentuais a mais que na população geral.
5,6% tiveram câncer na outra mama, contra 2,5% esperados no grupo de controle.
pacientes mais jovens no momento do primeiro diagnóstico apresentaram risco maior.
Na prática, os achados mostram que uma mulher diagnosticada aos 60 anos tem, até os 80, risco estimado de 17% de um novo câncer (fora da mama) e 5% de câncer na outra mama. Já uma diagnosticada aos 40 anos tem risco de 6% para cada tipo até os 60.
De acordo com um importante relatório sobre cânceres de início precoce, o câncer de mama teve o maior aumento no número de casos
BBC
Impacto dos tratamentos no risco de um segundo câncer
O estudo também se debruçou sobre a influência das chamadas terapias adjuvantes — como radioterapia, quimioterapia e tratamento hormonal — no desenvolvimento de novos tumores. Essas terapias são indicadas justamente para reduzir o risco de recidiva do câncer de mama e melhorar a sobrevida das pacientes, mas podem trazer efeitos colaterais a longo prazo.
Radioterapia: a análise mostrou que mulheres submetidas à radioterapia tiveram um risco discretamente maior de desenvolver câncer na outra mama (contralateral) e no pulmão. Isso pode estar ligado à exposição prolongada dos tecidos vizinhos à radiação, um efeito já descrito em pesquisas anteriores. Ainda assim, os pesquisadores reforçam que os benefícios em reduzir a recorrência local do câncer superam amplamente esse risco residual.
Terapia hormonal (endócrina): indicada principalmente para tumores que dependem de hormônios femininos para crescer, a terapia endócrina — que pode incluir medicamentos como tamoxifeno e inibidores de aromatase — mostrou uma associação com maior incidência de câncer de útero. Ao mesmo tempo, esse tratamento se relacionou a menor risco de câncer na mama contralateral, um efeito positivo esperado, já que esses fármacos bloqueiam a ação do estrogênio sobre as células mamárias.
Quimioterapia: as pacientes que receberam quimioterapia apresentaram maior chance de desenvolver leucemia aguda em comparação à população geral. Esse efeito é conhecido: alguns quimioterápicos podem alterar o DNA das células da medula óssea. Apesar disso, o número de casos foi baixo e, segundo os autores, o ganho de sobrevida proporcionado pela quimioterapia é significativamente maior que esse risco.
Segundo os pesquisadores, só uma parte pequena dos segundos cânceres registrados — cerca de 7% — pode estar ligada aos efeitos colaterais dos tratamentos, como rádio, quimio ou hormônio. A maioria dos casos acontece por outros fatores. Os autores reforçam que, mesmo com esse risco pequeno, os tratamentos continuam essenciais, já que ajudam a impedir a volta ou o avanço do câncer de mama.
O que isso significa para pacientes
Os autores ressaltam que muitos sobreviventes superestimam suas chances de ter outro câncer. De acordo com o artigo, as estimativas mostram que o risco extra existe, mas é pequeno e não deve ofuscar os ganhos obtidos com o tratamento.
Em artigo de opinião publicado junto ao estudo, pacientes destacam que informações claras sobre esses riscos deveriam estar mais acessíveis durante as consultas.
Limitações e próximos passos
O levantamento não considerou fatores como histórico familiar, predisposição genética ou hábitos de vida (como tabagismo), que também influenciam no risco de novos tumores. Ainda assim, por abranger todo o sistema de registro de câncer da Inglaterra, o trabalho é visto como um dos mais robustos já feitos nessa área.
Risco de novo câncer após tumor de mama inicial é baixo, mostra estudo com 476 mil mulheres
