
O RB Bragantino anunciou nesta segunda-feira (23) a punição para o jogador Gabriel Marques, que proferiu falas machistas para a árbitra Daiane Muniz durante as quartas de final do Campeonato Paulista. “O Red Bull Bragantino informa que o zagueiro Gustavo Marques receberá uma multa de 50% do total de seus vencimentos em consequência das declarações machistas feitas contra a árbitra Daiane Muniz, após a partida contra o São Paulo”, diz nota, que também acrescenta que o jogador “não será relacionado para o jogo contra o Athletico-PR, na quarta-feira”.
Segundo o clube de Bragança Paulista, o valor da multa será destinado à ONG Rendar, que cuida de mulheres em situação de vulnerabilidade na região bragantina.
O Red Bull Bragantino informa que o zagueiro Gustavo Marques receberá uma multa de 50% do total de seus vencimentos em consequência das declarações machistas feitas contra a árbitra Daiane Muniz, após a partida contra o São Paulo. Ele também não será relacionado para o jogo… pic.twitter.com/ccwj0my73N
— Red Bull Bragantino (@RedBullBraga) February 23, 2026
Relembre o caso
Na noite de sábado (21), RB Bragantino e São Paulo disputaram uma vaga na semifinal do Campeonato Paulista. Após a derrota por 2 a 1, ainda dentro de campo, em entrevista à TNT, Gustavo Marques, autor do único gol do Bragantino no jogo, culpou a árbitra da partida pela derrota, dizendo que mulher não deveria apitar confrontos decisivos ou com times grandes da capital, citando o São Paulo, Palmeiras e Corinthians.
“Eu quero falar da arbitragem. Porque não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocarem uma mulher pra apitar um jogo desse tamanho.”, disse. “Eu acho que o São Paulo tem todo mérito, pela camisa, pela tradição que tem. Eu acho que ela puxou pra eles, porque independente da situação, o Red Bull é grande, mas pra ela o São Paulo foi melhor, foi maior.”, continuou.
“Eu acho que esse jogo é critério dela, porque ela não foi mulher. A gente trabalha todo dia, a gente deixa família em casa… irmão, pai, mãe, esposa, todo mundo, pra ela vir e acabar com o sonho. Era o sonho da gente chegar na semi ou até na final, mas ela acabou com o nosso jogo”, acrescentou o jogador.
Já na zona mista, lugar em que os jogadores atendem à imprensa após o jogo, Gustavo Marque disse ter levado uma bronca da mãe e da esposa e se retratou.
“Eu falei coisas que não deveria naquele momento para a Daniela. Fui no vestiário dela para pedir perdão, para a assistente dela também.”, disse. “Então, estou aqui mais uma vez para pedir perdão para todas as mulheres. Quero que possam me perdoar pela minha fala. A minha esposa já me xingou, a minha mãe já me xingou, então estou aqui para pedir perdão”, acrescentou o zagueiro.
Federação Paulista toma providências
Também procurada pela reportagem do Estadão, a Federação Paulista de Futebol (FPF) se manifestou dizendo que encaminhará o caso ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), entidade responsável para avaliar quais as punições podem ser aplicadas a Gustavo Marques.
Ainda segundo a FPF, é incerto estabelecer um prazo para que as sanções sejam aplicadas ao jogador do Red Bull Bragantino. A reportagem apurou que ainda será avaliado se o TJD irá aceitar a denúncia, e assim sucessivamente.
É válido ressaltar que Gustavo Marques não sofreu nenhum tipo de punição por parte da juíza Daiane Muniz, visto que o jogo já havia sido encerrado quando o jogador dirigiu-se a ela de forma machista. Contudo, junto do apito final, a árbitra expulsou o lateral Juninho Capixaba por gestos irônicos. Jogadores do Bragantino reclamaram de forma acintosa de um pênalti não marcado nos minutos finais de duelo.
A FPF emitiu nota oficial em relação às falas machistas de Gustavo Marques:
“É com profunda indignação e revolta que a Federação Paulista de Futebol recebeu a entrevista do atleta Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após a partida contra o São Paulo, neste sábado (21), pelo Paulistão Casas Bahia.
Uma declaração em relação à árbitra Daiane Muniz que reflete uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol. É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero.
A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que este número cresça.
Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA da mais alta qualidade técnica, correta e de caráter. A FPF reforça todo apoio a Daiane e a todas as mulheres que atuam ou desejam atuar em qualquer área do futebol. Nosso trabalho diário é para garantir que o futebol seja um ambiente seguro e justo para todas as mulheres.
Por fim, a FPF encaminhará tais declarações à Justiça Desportiva, para que esta tome todas as providências cabíveis.”











