
Filipe Luís coroou uma ascensão meteórica no comando do Flamengo ao conquistar a Libertadores de 2025 e repetir um feito raríssimo no continente: tornar-se campeão da competição como jogador e como técnico. Entre brasileiros, apenas Renato Gaúcho havia alcançado essa marca. Agora, o ex-lateral entra definitivamente no grupo seleto de treinadores que transformaram carreira, legado e identidade de clube em uma trajetória de sucesso à beira do campo.
O título consolida o catarinense como um dos nomes mais importantes da história recente do Flamengo. Depois de levantar duas Libertadores como atleta (2019 e 2022), Filipe assumiu o time principal em setembro de 2024, após uma série de mudanças no comando técnico, e rapidamente recolocou a equipe no caminho das conquistas. Em pouco mais de um ano, empilhou Copa do Brasil, Supercopa, Carioca e, agora, a Libertadores — além de brigar pelo Brasileirão.
A campanha vitoriosa deste ano reforça a leitura de que o Flamengo acertou ao apostar em quem conhecia o clube por dentro. Antes de chegar ao profissional, o atual comandante rubro-negro teve passagens bem-sucedidas no sub-17 e no sub-20, onde foi campeão carioca e do Intercontinental da categoria. O trabalho de base, aliado à influência de técnicos como Jorge Jesus e Diego Simeone, moldou um estilo de gestão firme, obsessivo por desempenho e com forte ênfase na cultura de treino.
“Queria começar falando o que sempre falo depois de uma conquista tão especial, que são os meninos do Ninho, que faleceram em 2019”, recordou o treinador. “Não é coincidência depois que eles faleceram que o Flamengo começou a vencer tanto. Eu acredito em energia. Sei que esses meninos estão comigo. Um dos pais me manda mensagem, sinto que eles estão vivos dentro do clube e de mim. Gostaria de mandar um abraço para as famílias e para o meu avô. É muito especial’, declarou, emocionado.
No elenco principal, o treinador rapidamente mostrou personalidade. Reconstruiu a confiança de jogadores, cobrou postura quando necessário e estabeleceu critérios claros de disciplina e desempenho — atitudes que fortaleceram seu papel como líder e ampliaram o respeito interno. Com a taça conquistada em Lima, Filipe Luís torna-se o segundo brasileiro a erguer a Libertadores dentro e fora de campo e o sexto nome a fazê-lo pelo mesmo clube, juntando-se a figuras históricas do continente. No total, apenas nove profissionais na América do Sul alcançaram a “dobradinha”.
O resultado também renova o status do técnico no cenário internacional. Mesmo desejado por clubes europeus — é observado pelo Atlético de Madrid, onde brilhou como jogador —, Filipe vive seu auge no Brasil. A expectativa no Flamengo é de renovação de contrato, com aumento salarial e um projeto que o mantenha no clube.










