A equipe de investigação publicou um novo comunicado sobre o caso, na noite da última quarta-feira (25), afirmando que se concentra agora em vasculhar imagens de câmeras de segurança e procurar pistas em dados bancários e de comunicação.
“Embora nossas buscas físicas em terra, no litoral e na água estejam sendo concluídas, espero que fique claro que nosso trabalho para encontrar Vitoria não parou”, pontuou a detetive Anna Granger, que comanda o caso.
O trabalho para encontrar Vitória continua levando em conta diversas linhas de investigação, com o objetivo de ter um cenário completo do que aconteceu nos dias e horas antes e depois do desaparecimento.
Nova imagem
Os agentes estão seguindo diversas linhas de investigação . — Foto: Reprodução/Polícia de Essex
Conforme a Polícia de Essex, equipes ampliaram a busca por imagens de câmeras na região de Brightlingsea, especificamente no período quando Vitória esteve na área de Hurst Green, por volta das 14h35 de 3 de março; e 00h16 de 4 de março, quando ela estava em um estaleiro próximo a Copperas Road.
Como resultado das investigações, a polícia acredita ter um novo registro de Vitoria em terra entre Back Waterside Lane e Mill Street.
“A imagem é de uma câmera privada e mostra uma pessoa que se acredita ser Vitoria às 15h33 da tarde de 3 de março, uma hora após ela ter sido vista em Hurst Green”, explicou a Polícia de Essex, em tradução livre. As imagens, no entanto, não foram divulgadas.
A detetive Anna Granger ressaltou que o trabalho com as câmeras se concentra em buscar a cearense nas proximidades de sua última localização conhecida, em uma área de estaleiro na Copperas Road.
“Estamos trabalhando para reduzir a lacuna nas imagens entre 00h16 de 4 de março e o momento em que sabemos que uma pessoa solta um barco de pesca de um píer, por volta de 00h36. No entanto, agora temos imagens que parecem mostrar uma pessoa sozinha em um campo entre Back Waterside Lane e Mill Street às 15h33 de 3 de março”, disse Anna
A detetive pontua que a polícia trabalha com a provável hipótese de que Vitoria seguiu em direção à Copperas Road a partir de Hurst Green, passando por uma área verde. “Embora essa gravação tenha sido feita à distância, acreditamos que seja provável que seja ela. Isso significa que é bastante possível que pessoas que caminhavam naquela área possam ter visto essa pessoa”, reforçou Anna Granger.
A investigadora pediu que moradores da região comuniquem qualquer novidade à polícia, especialmente caso tenham visto a brasileira. As equipes de investigação também trabalham para obter os registros bancários e de comunicação de Vitoria.
Família e amigos fazem vigília de oração para brasileira desaparecida na Inglaterra. — Foto: Arquivo pessoal
O dia do desaparecimento
No dia do desaparecimento, a cearense saiu do campus da Universidade de Essex em Colchester, a cerca de 90 quilômetros de Londres, e foi vista pegando um ônibus e desembarcando na cidade de Brightlingsea.
Conforme a polícia britânica, que lidera as investigações, os últimos passos confirmados de Vitória foram quando ela foi filmada na marina de Brightlingsea, às 0h16 do dia 4 de março.
Encerramento das buscas
Região de Brightlingsea, na Inglaterra, onde brasileira Vitória Barreto teria levado barco após desaparecimento — Foto: Essex Police/Reprodução
Para a psicóloga Fernanda Silvestre, amiga que mora com Vitória em Fortaleza, a nova fase das investigações traz uma expectativa de que outras possibilidades estejam sendo bem exploradas pela polícia e tragam respostas sobre o caso.
“Eu enxergo com bons olhos, embora ainda fique a angústia. Não estou dizendo que estou aliviada porque não é isso. Mas acho que a polícia está dando a relevância que deveria ter sido dada desde o início, de um desaparecimento que é altamente estranho e misterioso. Mas ainda gera angústia, é algo que causa desespero”, afirmou ao g1.
Segundo a amiga, a hipótese de que Vitória tenha passado por algum tipo de surto não é a única considerada, embora tenha sido fortalecida a partir dos indícios divulgados até o momento.
Para ela, ainda não está claro se outras coisas aconteceram com a psicóloga antes do desaparecimento, como ser induzida a fugir diante de algum perigo real, ter ingerido algum alimento ou bebida que alterasse seu estado ou até mesmo ter sido sequestrada ou traficada.
Como ressalta a amiga de Vitória, as autoridades britânicas sempre afirmaram que há outras linhas sendo levadas em conta para desvendar o caso.
Por isso, Fernanda considera importante que a polícia esteja focada na reconstituição dos fatos, incluindo os passos dela na universidade, as pessoas com quem ela falou e o que pode ter ingerido antes de desaparecer.
Ainda segundo ela, o namorado e a mãe de Vitória continuarão acompanhando as investigações na Inglaterra e continuam sem previsão de retorno ao Brasil.
As informações repassadas pela polícia à família de Vitória são de que os trabalhos estão focando em depoimentos de pessoas próximas e que se relacionaram com ela nos últimos tempos. Também estão sendo analisados os locais por onde ela passou, com buscas especializadas de câmeras de segurança, e informações no notebook dela.
Sigilo bancário
De acordo com a superintendente Anna Granger, que lidera as investigações pela Polícia de Essex, dentre outros caminhos a serem considerados, estão o acesso aos dados de transações financeiras e comunicações que podem ter sido feitos pela psicóloga.
“Ambas as investigações se mostraram complexas devido à sua nacionalidade brasileira e exigem cooperação internacional, no qual continuamos trabalhando com o apoio dos entes queridos de Vitória e com a Embaixada do Brasil”, declarou a detetive no último comunicado, divulgado na sexta-feira (20).
Relembre o caso
Vitória Figueiredo Barreto — Foto: Polícia de Essex
Natural de Fortaleza, Vitória está fora do Brasil desde o mês de janeiro, quando participou de um congresso e dois cursos no Marrocos.
Em seguida, ela chegou à Inglaterra, onde ficou hospedada na casa de amigos. A intenção era participar de atividades científicas e tentar um doutorado.
Desde o início de março, Vitória estava na casa de uma amiga brasileira, Liliane. As duas trabalhavam em um projeto de pesquisa na Universidade de Essex, em Colchester, a cerca de 90 km a nordeste de Londres.
No dia de seu desaparecimento, Vitória almoçou com a amiga em um local próximo à universidade. As duas deveriam se reencontrar no fim da tarde, mas a cearense não apareceu.
A psicóloga cearense tem um vasto currículo na área e atuação internacional. A viagem para a Inglaterra também tinha como objetivo buscar oportunidades de estudo e palestras, com a possibilidade de iniciar um doutorado.
Liliane afirma que Vitória “sonhava em talvez um dia se tornar aluna” da Universidade de Essex e que ela não estava bem antes do seu desaparecimento. A Polícia de Essex foi comunicada no dia 4 de março sobre o caso.
O g1 montou uma linha do tempo que compila informações divulgadas pela Polícia de Essex durante as buscas. Confira neste link.
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