Morando no Ceará há seis anos, a venezuelana Ysis Rocio Avila Jaimes deixou seu país natal por causa da grave crise econômica que atingiu o país. Segundo ela, o salário mínimo já não era suficiente nem para garantir o básico.
“Um salário mínimo não dava nem pra alimentar uma pessoa ainda menos uma família. Eu vivi na pele. Ver que o teu salário só dava para comprar 1 kg de arroz no mês… não dá. Ver teus filhos se deitar com fome… isso é muito cruel e muito difícil”, relatou.
Mesmo vivendo no Brasil, Ysis mantém familiares e amigos na Venezuela. Ela afirma que, após a captura de Maduro, o clima no país é de tensão e cautela.
Imagem do incêndio em Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, após uma série de explosões em Caracas em 3 de janeiro de 2026. — Foto: LUIS JAIMES/AFP
Amigos relataram à ela que a população tem sido orientada a permanecer em casa para preservar a própria segurança, além de estocar água, alimentos, combustível e economizar bateria de celulares diante do risco de apagões e instabilidade.
Ao receber a notícia da operação dos Estados Unidos, Ysis descreveu uma reação de forte emoção. “Foi alegria, felicidade, liberdade e um despertar de esperança. Foi uma resposta às minhas orações, assim como às orações de muitos venezuelanos que tiveram que imigrar para não morrer de fome, literalmente”, declara.
Na avaliação dela, o episódio pode representar o início de um processo de reconstrução do país, embora reconheça que ainda há riscos de violência. Questionada sobre a possibilidade de voltar a morar na Venezuela, Ysis afirma que o desejo existe, mas que o momento ainda não é seguro.
Nosso país precisa iniciar o processo de reconstrução, garantindo para muitos de nós ao menos a estabilidade de ter um emprego e que o dinheiro ganho com o nosso trabalho possa assegurar uma boa vida às nossas famílias. Muitos de nós, venezuelanos, ansiamos voltar à nossa terra, mas acho que, por enquanto, não é o certo a se fazer.
— Ysis Rocio Avila Jaimes.
Bandeira do Brasil com a Venezuela na fronteira — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
Fila para comprar alimentos na Venezuela

Venezuelanos fazem fila para comprar e estocar comida em meio a incertezas políticas
Sofia Salazar, que morou em Fortaleza por seis anos e retornou à Venezuela em dezembro de 2025, relatou que venezuelanos estão fazendo fila em supermercados para comprar produtos e estocar.
“Fomos acordados com uma ligação de um familiar e informados que a Venezuela estava sendo atacada na capital. Porém, o estado em que moramos é distante, então por aqui ainda está tranquilo. Esperamos que não tenha ataque nesta região. A única coisa que está acontecendo por aqui é que as pessoas estão saindo para comprar alimentos porque não sabemos se vai faltar, não sabemos o que pode acontecer nos próximos dias. A gente já saiu para comprar alimentação e coisas de higiene”, diz a venezuelana.
A jovem venezuelana mora no estado de Monagas. Segundo Sofia, as filas nos supermercados estão enormes e o clima é de tensão e insegurança. Durante o ataque, moradores relataram uma série de explosões em Caracas, a capital, e foram ouvidos também estrondos e barulho de aeronaves em diferentes bairros.
Entenda o caso

Vídeo mostra Maduro detido na sede do departamento antidrogas dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram capturados por forças americanas durante uma operação militar em território venezuelano e colocados sob custódia dos EUA, com destino ao sistema judicial americano.
A missão, batizada de Operação Absolute Resolve, foi autorizada por Trump quatro dias antes de sua execução e acompanhada por ele em tempo real, a partir de seu clube Mar-a-Lago, na Flórida. De acordo com o ex-presidente, Maduro e Cilia Flores foram levados de helicóptero até o navio anfíbio USS Iwo Jima, no mar do Caribe, e depois encaminhados aos Estados Unidos
O casal ficará detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn e responderá a processo no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York, onde já havia denúncias formalizadas pela Procuradoria-Geral dos EUA. Ainda não há data para o julgamento.
Havia expectativa de que a líder da oposição e vencedora do Nobel da Paz, Maria Corina Machado, pudesse assumir o comando do país, mas Trump afirmou que ela “não tem apoio nem respeito na Venezuela”, indicando que Washington ainda não definiu quem lideraria um eventual governo pós-Maduro.
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:











